O resultado das eleições de 2026 parece ter servido como um doloroso banho de realidade para muita gente. Diversas lideranças que se consideravam donas de redutos eleitorais descobriram que voto não é patrimônio, muito menos herança.
Na região do Baixo Turi, o caso mais emblemático talvez seja o do prefeito de Centro Novo do Maranhão, Junior Garimpeiro.
Reeleito em 2024 com expressivos 6.830 votos, correspondentes a 67,85% dos votos válidos, o prefeito parecia convencido de que havia construído uma força política avassaladora. Afinal, quem conquista quase dois terços dos votos costuma acreditar que pode transformar qualquer candidatura em um fenômeno eleitoral.
Mas a urna resolveu estragar a narrativa.
Conhecido em todo o Maranhão por sua nada convencional composição familiar, o prefeito entrou na campanha cercado de recursos, estrutura e muito marketing. Houve distribuição de cestas básicas, entrega de cadeiras de rodas elétricas, bingos de motos, sorteios de carros e todo o pacote de quem acreditava estar investindo em uma vitória tranquila.
Pelo visto, os eleitores receberam a propaganda, analisaram a oferta e devolveram o produto.
Em seu próprio reduto eleitoral, sua segunda esposa obteve apenas 4.386 votos. Em comparação com os 6.830 votos conquistados pelo prefeito dois anos antes, a diferença representa uma queda superior a 35%.
Para quem se apresentava como o novo grande líder regional, o resultado foi, no mínimo, constrangedor. A situação evidencia que uma coisa é reunir pessoas em um evento; outra, bem diferente, é convencer o eleitor a apertar o botão da urna em favor de uma candidatura.
Os números colocam em xeque uma velha ilusão da política interiorana: a de que dinheiro faz milagres eleitorais. Pode fazer barulho, produzir fumaça, movimentar bajuladores e lotar agendas mas, vez ou outra, esbarra em um detalhe inconveniente chamado voto.
